A Faculdade de Ciências da Saúde (FCS) da Universidade de Macau (UM), a Universidade de Stanford (US) e o Centro de Oncologia da MD Anderson conseguiram novos avanços na sua investigação colaborativa do cancro do pulmão. A equipa de investigação descobriu que o gene NSD3 está envolvido na tumorigénese do carcinoma pulmonar de células escamosas, e relevou que também o NSD3 pode ser um alvo eficaz para o tratamento desse tipo de cancro, sendo uma descoberta marcante. Esta investigação já foi publicada no periódico de renome internacional Nature.
Existem dois tipos de cancro do pulmão: cancro do pulmão de células pequenas e cancro do pulmão de células não pequenas. O último inclui principalmente adenocarcinoma, carcinoma de células escamosas e carcinoma de células grandes. O cancro do pulmão de células não pequenas cresce e metastiza mais lentamente do que o de células pequenas. No entanto, apenas cerca de um quarto dos casos em estádio inicial podem ser tratados com cirurgia, e as metástases ou a reincidência ainda podem ocorrer após a cirurgia. Portanto, ainda há muito espaço para melhorias no tratamento do cancro do pulmão. Nesta investigação, uma equipa formada pelos investigadores do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências Humanas da US, do Centro de Oncologia da MD Anderson e da UM, descobriu que uma via regulatória molecular intrínseca pelo qual NSD3 promove a tumorigénese do carcinoma pulmonar de células escamosas. A descoberta desse mecanismo derruba as especulações anteriores de que o cromossomo 8 identifica o gene condutor do cancro, e o mais importante é que fornece um novo alvo terapêutico potencial para o tratamento do carcinoma pulmonar de células escamosas.
Nas investigações anteriores sobre o carcinoma pulmonar de células escamosas, a amplificação de regiões específicas do cromossomo 8 promoveu a tumorigénese do carcinoma pulmonar de células escamosas. Inicialmente, o principal gene condutor candidato era a proteína FGFR1, mas os ensaios clínicos que tentaram atingir a proteína FGFR1 não tiveram sucesso. Nesta investigação, os investigadores encontraram que a H3K36 metiltransferase NSD3 também está localizada na mesma região do cromossomo 8. Usando os ratinhos como organismo modelo, o nocaute de NSD3 retardou o crescimento do tumor e prolongou a sobrevivência dos ratinhos. Os investigadores também identificaram uma variante genética no NSD3, que é comum em pacientes com esse tipo de tumor, aumentando a actividade catalítica da dimetilação H3K36 tanto in vitro quanto in vivo. Esta variante acelerou a tumorigénese e diminuiu a taxa de sobrevivência geral do modelo de ratinho. Esta variante induziu mudanças epigenéticas gerais e promoveu a programação da expressão oncogénica. Esta investigação também revelou que os tumores dependentes de NSD3 podem ser sensíveis aos inibidores do bromodomínios, com potencial valor clínico.

NSD3 participa na tumorigénese do carcinoma pulmonar de células escamosas e é um alvo potencial eficaz para a terapia do cancro
Esta investigação foi liderada pelo Prof. Or Gozani do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências Humanas da US, com o professor assistente Dr. Shao Ningyi da FCS da UM, como co-autores correspondentes. A investigação foi apoiada financeiramente pelo Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia da RAEM (Processo n.º FDCT 0038/2020/AFJ) e pela UM (Processo n.º SRG2019-00177-FHS). O artigo inteiro está disponível em https://www.nature.com/articles/s41586-020-03170-y.
Reproduzido da Universidade de Macau: https://www.um.edu.mo/zh-hant/news-and-press-releases/presss-release/detail/51362/